quarta-feira, 26 de maio de 2010

Se os tubarões fossem homens - por Bertold Brecht

Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha de sua senhoria ao senhor K., seriam eles mais amáveis para com os peixinhos?


Certamente, respondeu o Sr. K. Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adoptariam todas as medidas sanitárias adequadas. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, ser-lhe-ia imediatamente aplicado um curativo para que não morresse antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem melancólicos haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar alegremente em direcção à goela dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.

O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam rejeitar toda tendência baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões aqueles que apresentassem tais tendências.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, proclamariam, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não se podem entender entre si. Cada peixinho que matasse alguns outros na guerra, os inimigos que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia uma comenda de herói.

Se os tubarões fossem homens também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões.

Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso, ou seja, na barriga dos tubarões.

Se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc.

Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

INSTITUIÇÕES POLÍTICAS (BRASIL)


INTRODUCAO:
O tema levantado no presente trabalho tem como objetivo com tópicos contemporâneos, demonstrar a necessidade de impor um outro olhar sobre o sistema político e necessidade de participação. Olhar este desenvolvido quando se tem um conhecimento acerca da funcionalidade e estrutura das instituições políticas. Junto com influência de outras instituições sociais, o Estado impõe coerções de diversas formas. O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), as instituições política são necessárias no que diz respeito à organização sociocultural e administração do Estado ou de uma nação.

CRITICA A DEMOCRACIA: GOVERNO DO POVO?
A democracia liberal, possui na verdade duas características, são elas, a democracia participativa e a representativa. Na participativa as decisões são tomadas em comunidade (plebiscitos, reuniões), é uma característica que está incluída na moderna democracia representativa; esta por sua vez, tem como participação do povo no ato de eleger um representante para si. Apesar de toda história de desenvolvimento dos sistemas políticos que vinham dês dos regimes absolutistas até aos autoritário, a democracia ainda não representa e nem é fiel à totalidade de interesses da sociedade. O que acontece apesar de possuir agora um parlamento e um judiciário independentes, é de utilizar o termo democracia apenas como ideologia. Porque? Na prática, não é gerida a sua ideologia. Com o crescimento e a diferenciação das sociedades, é cada vez mais necessário que os interesses e as necessidades da população sejam criados com base na igualdade de participação, por meio de organizações políticas. E essas organizações estão sujeitas a uma crescente diferenciação decorrente da divisão do trabalho. Surgindo os especialistas que estabelecem uma estratificação inevitável em termos de conhecimento, habilidades e objetivos entre os líderes das organizações políticas. Desse modo fica visto que a democracia foge do controle da massa e passa a ser direcionada para o interesse da elite governante, a oligarquia. O conceito de oligarquia é o governo feito por poucos, no caso são as elites que possuem grande influência sobre varias instituições, dentre elas na economia, meios de comunicação e até a religião.
E o voto? De que vale um voto se a maioria nem sequer se lembra do elegido na eleição passada? O povo clama e reclama acerca da corrupção dos sujeitos coletivos na política, e nem ao menos fiscaliza. A partir daí então flui uma outra questão, seria uma falta de interesse nos próprios direitos de cidadão, ou talvez uma alienação causada pelo consumismo conseqüente do capitalismo? Aí está o poder do estado, poder que é legitimado mesmo prejudicial à grande parte da população. Legitima-se ou seja, é aceito pela sociedade.

CONSPIRACOES
Dando continuidade sobre a falta de fidelidade e as táticas elitistas no âmbito político para a dominação, sem dar o devido privilégio às necessidades emergenciais da grande parte da sociedade, vê-se além da alienação, um desconhecimento dos reais motivos de eventos internacionais. Já ouviram falar do BRIC? Uma organização formada pelos quatro principais países emergentes do mundo. É formado pelo Brasil, Rússia, Índia e a China. Estranha coincidência o fato de promoverem novelas (Negócio da China, No caminho das índias)? Denotam uma atenção popularizada à esses países. Mais uma vez os meios de comunicação em massa impõem a sua própria vontade em nossas relações sociais para modificar nossos interesses. Que neste caso estaria talvez associado à indução de preferências na economia destes mercados. Motivos que nem sempre são totalmente esclarecidos. Assim como foi ocorrido nas eleições presidenciais de 1989; onde na emergência das Organizações Globo se sentirem ameaçadas pelos interesses empresariais na Constituinte, resolveu apoiar um candidato da direita, Fernando Collor. Foi apoiado pela mídia e o povo se mobilizou a apoiá-lo elegendo-o presidente. Que após escândalos de corrupção, a Globo mobiliza mais uma vez a população, mas desta vez contra Collor, que acaba por renunciar.
E é por estes motivos que a mídia é conhecida como o “quarto” poder do Estado, que vem logo após o Executivo (executa as ações, administra a nação, cumpre as leis e age para que a elas sejam cumpridas), o Legislativo (analisa as propostas e elabora as leis que irão reger a nação) e o Judiciário (julga e aplica as leis elaboradas pelo Legislativo e exercidas pelo Executivo).

CONSIDERACOES FINAIS
Enquanto que a consciência nacionalista, torna-se cada vez mais empobrecida devido ao escasso interesse no âmbito da política, a sociedade perde força quando se trata de impor opiniões comuns. Sem essa consciência de unidade as elites se aproveitam disto mantendo seus interesses próprios. Cabe à sociedade por via dos movimentos sociais, reivindicarem sua insatisfação com a política. Pressionar direitos trabalhistas por via dos lobbies (grupos de interesses especiais, como os sindicatos de e associações). E principalmente tomar uma consciência dos próprios direitos, que é por meio de uma educação eficaz que nos torna verdadeiros cidadãos. Tornando pessoas que saibam usufruir das instituições políticas para o bem geral da sociedade.